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domingo, 27 de maio de 2012

A História de ísis e Osíris


Fiz uma pesquisa sobre a lenda de Ísis e Osíris, e devo alertar que talvez achem um material diferente sobre a história em cada site, pois existem muitas divergências de ideias sobre tal história. Eu procurei pesquisar as mais “corretas” se assim podemos dizer, pois é uma lenda muito antiga, e fiz uma síntese de um conjunto de versões sobre a mesma:

A deusa Ísis (conhecida pelos egípcios como Aset), é filha de Nut (a senhora dos mistérios) e Geb.  A sua intensa história com Osíris (deus marido de Ísis, que também era um rei) começa quando ele é morto por seu próprio irmão: Set (ou Seth). O corpo de Osíris foi colocado dentro de um cesto e jogado ao Rio Nilo.

Ísis, ao saber das notícias sobre seu marido, arrancou um fio de seus fios cabelo e colocou numa manta de luto que, assim como a cidade, possui o nome de “Copto”.  Ela descobriu que o cesto havia sido levado com o mar até um lugar chamado Byblos, e que as ondas deixaram-no sob uma Érica (árvore).  A Érica, uma planta adorável, cresceu muito rápido e muito grande, agregando, assim, o cesto a si mesma. O rei do lugar, atônito pelo tamanho da planta, cortou a moita que escondia o sarcófago de vista, mandou que fizessem um pilar para seu teto do tal material.

Eles contam que quando Ísis soube disso tudo por um sopro divino de honra, ela foi a Byblos, e sentada ao lado de uma fonte, abatida e chorosa, não dava uma palavra a ninguém, mas saudava e fazia amizade com os servos da rainha arrumando os cabelos dos mesmos e inserindo em seus corpos um perfume maravilhoso que vinha de si mesma; quando a rainha viu seus servos de novo, ela desejou conhecer a estranha; da qual o cabelo e corpo exalavam um perfume estonteante; e assim foi feito, e Ísis uma vez íntima da rainha tornou-se ama de seu bebê.

Dizem que Ísis dava de mamar à criança colocando, ao invés do mamilo, o dedo na boca dele, e à noite ela retirava as partes mortais do seu corpo.  Ela se transformou numa andorinha, voou até a rainha percebê-la, a mesma chorou quando viu o menino pegando fogo, então Ísis retirou a imortalidade do bebê. Então a deusa, se manifestando, pediu pelo pilar do teto e removendo com facilidade, cortou a Érica que o prendia. A planta se agarrou a um pano de linho derramando perfume sobre o mesmo, o pano foi entregue ao rei, e até os dias atuais as pessoas de Byblos veneram essa madeira preservada no templo de ísis.

Alguns estudiosos sugerem que as primeiras imagens da Virgem Maria com o Menino Jesus tenham sido inspiradas na imagem de ísis dando de mamar à criança.

Ísis encontrou o corpo de seu marido e o levou de volta ao Egito, só que chegando lá, seu cunhado mais uma vez teve acesso ao corpo, dispersando o mesmo em 14 partes pelo Egito, fora do alcance de Ísis. Seguindo em intensa busca, ela encontrou 13 das 14 partes, desde que seu falo havia sido comido por um peixe. Então ela criou outro falo feito de ouro e cantou uma música ao redor de Osíris até ele voltar a vida, concebendo assim seu filho Horus. Sobre esta parte da história existem algumas divergências: É acreditado, também, que Ísis tenha deixado o corpo morto do marido a boiar pelo Nilo até que ele ressuscitasse.  

Osíris, assim, podia ser clamado “Senhor da Morte” e da “pós-vida”.

É de importância acrescentar que alguns autores costumam comparar a história de Osíris com a de Jesus Cristo, por conta de se tratar de um deus salvador morrendo, depois sendo batizados pelas águas e voltando a vida mais uma vez. De qualquer forma, existem opiniões contrárias, também, que afirmam não haver relação alguma entre as histórias.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Eostre.


Esta lenda é considerada, por alguns, uma das origens de alguns símbolos da páscoa (ovos e coelhos). Existem duas formas mais conhecidas de se contar a lenda dessa deusa que é chamada de Eostre, Ostera ou Eastre... É a deusa germânica da primavera, do nascimento e da agricultura. É considerada o símbolo do crescimento e renascimento, e era cultuada através do ateamento ritual dos fogos da aurora, para que ela protegesse as plantações. Uma das versões conta que uma menininha estava brincando na neve quando encontra um passarinho quase morto de frio, ela pede ajuda a Eostre que vem caminhando numa ponte feita de arco-íris com um vestido flamejante que derrete toda a neve. E com Eostre chega a primavera. Para atender ao pedido da menina (ela adorava crianças), a deusa transformou a pequena ave moribunda numa lebre do gelo que botava ovos de arco-íris e ensinou a garotinha a ver quando a lebre do gelo aparecesse na floresta como símbolo da chegada da primavera. Outra versão diz que Eostre estava na floresta com as crianças quando uma ave pousou em sua mão, ela a transformou em lebre e as crianças ficaram maravilhadas. Sendo que com o passar do tempo, as crianças perceberam que a lebre estava triste, pois não podia cantar nem voar. Aí elas pediram para Eostre transformar a lebre de novo em pássaro, e a deusa tentou, mas não conseguiu, então resolveu esperar o inverno passar para tentar novamente, já que no inverno seus poderes diminuíam. Na primavera Eostre o transformou em pássaro de novo, e ele colocou ovos em homenagem a ela, mas o efeito acabava no inverno, quando o pássaro voltava a ser lebre, nessa época, em homenagem à bondade das crianças, ele pintava os ovos que havia colocado.
Até o próximo post...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Iemanjá


Essa aposto que você conhece, aliás a muita gente faz sua oferenda à Iemanjá no ano novo, mas poucos conhecem sua lenda, então para os interessados:

"A LENDA DE IEMAJÁ
Yemanjá, conta uma das lendas,
era "casada pela primeira vez com Orunmilá,
senhor das adivinhações,
depois com Olofin, rei de Ifé", cansada de sua permanência em Ifé,
fugiu em direção ao oeste. Outrora,
Olokun lhe havia dado, por medida de precaução,
uma garrafa contendo um preparo, pois não se sabia
o que poderia acontecer amanhã,
com a recomendação de quebrá-lo
no chão em caso de extremo perigo.
E assim Yemanjá foi instalar-se no entardecer da terra oeste.
Olofin, Rei de Ifé, lançou seu exército à procura de sua mulher.
Cercada, Yemanjá ao invés de se deixar prender
e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa,
segundo as instruções recebidas.
O criou-se o rio na mesma hora
levando-a para Okun (o oceano),
lugar de residência de Olokun, seu pai."
Retirado do site : www.africanasraizes.com.br

Oxum

Uma lenda do candomblé, extraída do site www.africanasraizes.com.br , muito interessante...

"LENDA DE OXUM
Em um belo dia,
Sàngó que passava pelas propriedades de Èsù,
avistou aquela linda donzela que penteava
seus lindos cabelos a margem de um rio e de pronto agrado,
foi declarar sua grande admiração para com Òsùn.
Foi-se a tal ponto que Sàngó,
viu-se completamente apaixonado por aquela linda mulher,
e perguntou se não gostaria de morar
em sua companhia em seu lindo castelo na cidade de Oyó .
Òsùn rejeitou o convite,
pois lhe fazia muito bem a companhia de Èsù.
Sàngó então irado e contradito,
sequestrou Òsùn e levou-a em sua companhia,
aprisionando-a na masmorra de seu castelo.
Èsù, logo de imediato sentiu
a falta de sua companheira e saiu a procurar,
por todas as regiões, pelos quatro cantos do mundo
sua doce pupila de anos de convivência.
Chegando nas terras de Sàngó, Èsù foi surpreendido por um canto
triste e melancólico que vinha da direção do palácio do Rei de Oyó,
da mais alta torre. Lá estava Òsùn,
triste e a chorar por sua prisão e permanência na cidade do Rei.
Èsù, esperto e matreiro, procurou a ajuda de Òrùnmílá,
que de pronto agrado lhe cedeu uma poção de transformação
para Òsùn desvencilhar-se dos dominíos de Sàngó.
Èsù, atravez da magia pode fazer
chegar as mãos de sua companheira a tal poção.
Òsùn tomou de um só gole a poção mágica e transformou-se
em uma linda pomba dourada,
que voôu e pode então retornar a casa de Esù."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O mistério da Lua (e suas Deusas).


A Lua é um satélite natural, que blá, blá, blá... Disso nós já sabemos, mas o que poucos sabem é que a Lua é considerada o lado feminino de viver e de pensar, é o símbolo da força da mulher em diversas culturas. Na mitologia romana a Lua pode ser representada por Diana, na egípcia Ísis (que também é o símbolo da maternidade), na wicca é Brid (deusa da lua crescente). Uma das primeiras deusas da lua que os gregos tiveram foi Febe, cujo nome significa brilhante ou algo do tipo. Esta se casou com Céos e depois de ter duas filhas, (Leto e Astéria) recebeu de Astéria uma neta que também é considerada uma deusa da lua, sendo que da lua nova, ela se chamava Hécate e é um pouco mais conhecida do que as outras deusas. Hécate é a representação da encruzilhada e das decisões, tem pessoas que acreditam que ela simboliza a fertilidade, o lado negro da Lua, a educação e o Inferno. Ela é adorada nas encruzilhadas onde as pessoas deixam oferendas para ela nas noites de Lua nova, pois segundo algumas crenças ela anda pelas encruzilhadas nas noites de Lua nova com uma matilha de cães de caça atrás dela. Aqui está um poema referente à Hécate que retirei do livro “O oráculo da Deusa” de Amy Sophia Marashinsky:
“Sento-me no negrume da Lua
Nova
com meus cães
na encruzilhada
para onde convergem três caminhos
o lugar da escolha
Todos os caminhos levam à encruzilhada
e todos são desejáveis
mas apenas um você pode percorer
apenas você pode escolher
a escolha cria finais
e todo início vem de um final
na encruzilhada
Qual você escolherá?
Qual caminho percorrerá?
Qual?
Embora a escolha seja sua
Eis aqui um segredo que partilho com você
O caminho a escolher é adentrar o vazio
O caminho a escolher é deixar morrer
O caminho a escolher é voar livre”

Já Arianrhod é a deusa da Lua cheia, sua história é meio confusa... Ela é chamada por seu irmão Gwydion para que ela pudesse deixar Math colocar o pé dentro de seu ventre, pois só assim ele poderia viver. Ele precisava colocar os pés no ventre de uma virgem e para provar sua virgindade foi pedido à Arianrohd que pisasse na varinha de Gwydion, mas quando ela o fez, de dentro dela saíram duas crianças, um que se chamou Dylan foi rastejando até se perder no mar e o outro (que depois viria a se chamar Llew) foi pego nos braços por Gwydian. Arianrhod ficou muito irritada com a aquilo e jurou que aquela criança nunca se casaria, não teria nome, e nunca empunharia arma nenhuma (segunda a tradição só a mãe poderia conceder essas coisas para o filho ou filha) sendo que depois de algum tempo Gwydion consegue enganar ela e acabou dando um nome e arma a seu filho, porém só depois que Blodeuwedd é criada Llew pode se casar. A verdade é que a Lua é realmente fascinante e linda, pode ser comparada à vida, com todas as suas fases, pensem bem, nós vamos de novos e fofinhos até velhos e cheios de conhecimento (ou não)... Talvez seja por isso que ela é tão admirada: ela é um pouco mágica...
Em breve teremos uma postagem sobre o Sol.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lilith

Vou fazer uma coisa que nunca faço: postar uma coisa da Wikipédia, mas é um texto muito interassante, de um assunto que eu já li muito sobre, sei que ela é considerada uma deusa para certas crenças. Mas sinceramente não acredito que Deus tenha dito o que vocês vão ver para ela, pois acredito que se houver algum Deus ele deve ser justo... Acho que isso também pode ter sido inserido no Concílio de Nicéia, pois era do interesse deles. Muito bem, sei que Lilith simboliza o poder em algumas tradições, mas é óbvio que uma mulher não poderia ter todo esse poder naquela época né? Então acho que Lilith foi endemonizada por conta da sociedade patriarcal, e o que foi dito por Deus também, porque se ele tivesse dito isso, eu infelizmente não poderia seguir essa "ordem natural".É a minha opinião. Seguimos, ta aí o texto, leiam, é interessante:
"No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira esposa de Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio.

De acordo com certas interpretações da criação humana em Gênesis, no Antigo Testamento, reconhecendo que havia sido criada por Deus com a mesma matéria prima, Lilith rebelou-se, recusando-se a ficar sempre em baixo durante as suas relações sexuais. Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilith foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal.

Assim dizia Lilith: ‘‘Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.’’ Quando reclamou de sua condição a Deus, ele retrucou que essa era a ordem natural, o domínio do homem sobre a mulher, dessa forma abandonou o Éden.

Três anjos foram enviados em seu encalço, porém ela se recusou a voltar. Juntou-se aos anjos caídos onde se casou com Samael que tentou Eva ao passo que Lilith Tentou a Adão os fazendo cometer adultério. Desde então o homem foi expulso do paraíso e Lilith tentaria destruir a humanidade, filhos do adultério de Adão com Eva, pois mesmo abandonando seu marido ela não aceitava sua segunda mulher. Ela então perseguiria os homens, principalmente os adúlteros, crianças e recém casados para se vingar.

Após os hebreus terem deixado a Babilônia Lilith perdeu aos poucos sua representatividade e foi eliminada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, e depois da solidão de Adão ela é criada novamente, sendo a primeira criação referente na verdade a Lilith no Gênesis.

No período medieval ela era ainda muito citada entre as superstições de camponeses, como deixar um amuleto com o nome dos 3 anjos que a perseguiram para fora do Éden, Sanvi, Sansavi e Samangelaf para que ela não o matasse, assim como acordar o marido que sorrisse durante o sono, pois ele estaria sendo seduzido por Lilith.

A imagem de Lilith, sob o nome Lilitu, apareceu primeiramente representando uma categoria de demônios ou espíritos de ventos e tormentas na Suméria por volta de 3000 A.C. Muitos estudiosos atribuem a origem do nome fonético Lilith por volta de 700 A.C.

Ela é também associada a um demônio feminino da noite que originou na antiga Mesopotâmia. Era associada ao vento e, pensava-se, por isso, que ela era portadora de mal-estares, doenças e mesmo da morte. Porém algumas vezes ela se utilizaria da água como uma espécie de portal para o seu mundo. Também nas escrituras hebraicas (Talmud e Midrash) ela é referida como uma espécie de demônio.

Talvez dada a sua longa associação à noite, surge sem quaisquer precedentes a denominação screech owl, ou seja, como coruja, na famosa tradução inglesa da bíblia, na Bíblia KJV ou King James Version. Ali está escrito, em Isaías 34:14 que … the screech owl also shall rest there. É preciso salientar, comparativamente, que na renomada versão em língua portuguesa da bíblia, isto é, na tradução de João Ferreira de Almeida, esta passagem relata que … os animais noturnos ali pousarão, não havendo menção da coruja[1], como é freqüentemente, muito embora erroneamente, citado no Brasil (tratando-se de um claro exemplo da forte influência da cultura anglo-saxã no mundo lusófono atual)." E agora um vídeo bastante interessante sobre Lilith, sendo a mesma citada como deusa amazona.
Estão livres para dar sua opinião sobre o assunto.

sábado, 4 de setembro de 2010

A Caixa de Pandora


Retirei do livro “As 100 melhores histórias da mitologia” um texto muito especial, já que é o nome e o símbolo do nosso blog, aproveitem:
“Epimeteu era irmão de Prometeu, o titã que modelou o primeiro homem do barro. No
entanto, este, por desavenças com Júpiter, acabara por incorrer na sua ira.
Temendo que Júpiter viesse a querer se vingar dele ou do gênero humano, Prometeu
decidiu um dia alertar o seu desavisado irmão:
— Epimeteu, tome cuidado com os presentes que receber de Júpiter — disse Prometeu,
chamando-o para um canto. — Já há algum tempo que ele anda furioso comigo, porque ousei roubar o fogo dos céus para levá-lo aos homens.
Epimeteu escutou com atenção as palavras judiciosas do irmão e logo as esqueceu com o mesmo empenho.
Enquanto isso, no Olimpo, Júpiter já havia ordenado a Vulcano — que tinha também as
suas veleidades de artífice — que criasse uma nova criatura, uma parelha para o homem.
— Deixa comigo — disse o deus das forjas.
Fechando-se em sua fuliginosa oficina com a deusa Minerva, os dois entregaram-se com
extraordinário denodo à interessante tarefa. Decorrido algum tempo, a obra estava pronta.
— Nunca nada de mais perfeito saiu de suas talentosas mãos, excelente Vulcano! — disse
Minerva, entusiasmada.
— Graças a você, cara amiga, que me auxiliou com seus proveitosos conselhos! — disse
Vulcano, devolvendo o elogio.
Diante dos dois estava um linda mulher, quase tão bela quanto a mais bela das deusas.Seus olhos era azuis como o mais límpido céu e de sua boca vermelha e úmida partia um hálito fresco e perfumado. Sua pele era macia como o mais macio dos veludos e recobrindo-a por inteiro havia ainda uma delicada penugem, que lembrava em tudo a maciez da casca do pêssego.Seus membros, por sua vez, eram delicadamente proporcionados, tendo sido exilada deles àforça, em proveito da graça. A frente do peito da encantadora criatura, Minerva coloca-n dois pomos que tinham o prodígio de serem, ao toque, ao mesmo tempo macios e firmes, coroando os ainda, num requinte de perfeição, com duas delicadas protuberâncias, que lembravam duas pequenas cerejas.Suas curvas eram perfeitas. De cada flanco do corpo desciam duas linhas curvas voltadas para dentro, expandindo-se somente à altura da cintura para dar lugar a um estonteante panorama, tendo ao centro um triângulo hermético, que guardava dentro de si todos os segredos da vida e de sua procriação.
— Vamos, levemos já nossa invenção a Júpiter, para que ele nos dê logo a sua aprovação!
— disse Minerva, tão confiante que já dava por certa a aprovação de seu exigente pai.
E não foi de outra maneira. Tão logo o deus dos deuses pôs os seus olhos sobre a nova
criatura, eles encheram-se de um brilho intenso.
— Vulcano e Minerva, vocês excederam-se em tudo o que se refere à beleza! — disse
Júpiter, aplaudindo com entusiasmo a obra que tinha diante de si.
— Batizamos ela de Pandora, meu pai — disse Minerva. — O que acha deste nome?
— Pandora, Pandora — repetiu Júpiter, deliciado. — Tem um som volátil, alado...
Magnífico!
Antes, porém, de dispensar a criatura, chamou-a a um canto.
— Venha cá, Pandora, tenho um presente para você. Quero que você leve isto aos
mortais como sinal de meu apreço por eles — disse Júpiter, entregando-lhe uma caixa dourada,
ricamente trabalhada com arabescos e filigranas de prata.
Pandora arregalou os olhos ao ver diante de si aquele presente tão magnífico. Sem poder
conter-se, quis logo abrir a maravilhosa caixa, mas foi impedida pelo autor do presente.
— Não, minha filha, não faça isto! É para ser mantida sempre assim, hermeticamente
fechada.
— Herpétia o que, poderoso deus? — disse Pandora, com um arzinho encantadoramente
confuso.
— Esqueça, querida, esqueça. Não é para ser aberta em ocasião alguma, compreendeu?
— Sim, sim, compreendi! — disse Pandora, semicerrando os seus soberbos olhos anis.
"Por Júpiter, acho que esqueci de um pequeno detalhe... !", pensou Minerva, consigo
mesma, ao analisar melhor a criatura.
Vulcano, no entanto, permanecia satisfeitíssimo com a sua invenção, demonstrando ser
em tudo um pai digno da filha, menos na beleza, é claro.
— Pode ir, minha menina, vá em paz — disse Júpiter, despedindo-se dela com um aceno.
No mesmo dia, os dois presentes chegaram às mãos de Epimeteu, que não sabia qual
deles admirar mais. Mas em breve fez logo a sua escolha: nada podia ser mais admirável do que aquela encantadora criatura que se chamava Pandora.
Entusiasmado, Epimeteu decidiu instalá-la em seu quarto. Depois que ele havia se retirado, Pandora pegou sua caixa dourada e prateada e pôs-se a examiná-la detidamente, virando a de todos os lados. Seus olhos azuis refletiam todo o brilho do magnífico receptáculo.
— O que haverá aí dentro? — disse baixinho, refrescando o ar com seu hálito balsâmico.
Por várias vezes a encantadora Pandora hesitou se abria ou não a fantástica caixa. Mas, depois, depositando o precioso objeto ao lado do travesseiro, adormeceu profundamente.
Sonhou então que de dentro da caixa saíam, como por mágica, cavalos alados da cor do mar e aves luminosas de diversos tons esmeraldinos. Dos bicos prateados das gigantescas aves originava-se uma canção de magnífica beleza, que a enterneceu até o âmago mais profundo da alma. Homens e mulheres abraçavam-se nus, em pleno ar, ao som desta canção embriagadora, misturando-se àquelas criaturas de tal modo, que pareciam ter asas como elas.
Despertando com aquele sonho maravilhoso, Pandora estendeu a mão imediatamente para o seu presente. Não podendo mais conter o seu desejo, ergueu a tampa numa volúpia insana de curiosidade que lhe pôs na espinha um arrepio gelado.
Nem bem ergueu um pouquinho a tampa dourada, Pandora sentiu-a ser arrebatada das mãos, caindo ao chão, longe da cama. Assustada, ainda assim manteve o objeto preso entre as mãos. Pandora viu escapar de dentro da caixa algo a princípio sem forma. Parecia que todos os ventos do mundo se escapavam desordenadamente dali, na pressa da fuga. Imediatamente um deles tomou a forma de uma caveira volátil, parecendo toda feita de cristal e de vento. Tomando uma dimensão assustadora, a caveira aproximou seu rosto brilhante do rosto da pobre moça, que tremia de medo. Podia sentir na face o bafo mortalmente gelado que passava por entre os dentes de gelo, completamente arreganhados, da horrenda caveira.Por alguns instantes aquela face terrível a mirou com suas órbitas vazias, estudando-a sempre com seu sorriso de vidro. Depois seus maxilares bateram repetidas vezes, um de encontro ao outro, aumentando cada vez mais o ritmo a um ponto tal que ela somente podia ver aquela fileira transparente de dentes martelando-se uns aos outros, parecendo inevitável que se fariam em pedaços diante de seus olhos atônitos. Algo parecido a uma gargalhada escapava por entre os rápidos intervalos das batidas dos maxilares, que ela não sabia precisar se era uma gargalhada de escárnio ou um lamento de dor.Pandora estava prestes a desmaiar, quando a caveira foi se tornando gasosa outra vez, transformando-se num grande e gelado vapor que fugiu pela janela do quarto, perdendo-se no mundo.Depois surgiram vários rostos deformados, cobertos de pústulas, que se erguiam da caixa como se fossem o retrato horrendo da Doença. Depois de assoprarem sobre seu rosto o bafo doentio das febres renitentes, arremessaram-se também pela janela atrás da primeira criatura, finalmente libertas. Dentre as tantas criaturas que escaparam da caixa, Pandora teve o desgosto de ver personificados todos os vícios que viriam a acometer no futuro a alma humana.A Inveja lhe apareceu, assim, sob a forma de uma mulher velha, cujos cabelos finos e prateados como teias de aranha esvoaçavam ao ar. De dentro dessa moita prateada, aranhas negras teciam freneticamente com as patas negras mais e mais fios, de tal forma que uma nuvem esfiapada cobria a cabeça inteira da velha hedionda. Seus olhos amarelos, raiados de sangue, fuzilavam aquele belo rosto que, sabia, jamais teria igual. Da boca escapou uma baba verde, que lhe escorria pelo queixo em cordas pendentes. Com elas a velha teceu uma corda musgosa e nojenta, com a qual envolveu o pescoço de Pandora, decidida a estrangulá-la. Algo, porém, a impediu de completar seu ato. Dando um grande uivo de raiva, ela recuou para trás. Depois ergueu a mão ossuda no ar e, franzindo os dedos como quem agarra algo, sacudiu-a em direção ao seu alvo, Pandora. Depois, arremessou-se subitamente pela janela, dando um silvo agudo e penetrante.
A Gula, sob a forma rotunda de uma mulher imensamente nua, escapou-se também da caixa. Suas banhas e graxas sacudiam, caindo umas por cima das outras, em grossas camadas. De toda ela escorria um suor pegajoso, como se suasse azeite por todos os poros. Suas bochechas pareciam prestes a explodir, e de seus olhos escorria uma graxa amarela e malcheirosa, que ela lambia com furor assim que lhe chegava aos lábios inchados.
Pandora, embora aterrorizada, não conseguia fechar a maldita caixa, involuntariamente fascinada com o que assistia, sem saber como pudera desencadear tantas desgraças. Lançando-se de joelhos ao chão, encontrou finalmente a tampa caída a um canto.Enquanto rastejava para alcançá-la sentia rodopiar acima de si uma legião de demônios — a Avareza, a Arrogância, a Crueldade, o Egoísmo, todos os vícios e defeitos humanos dançavam uma ciranda infernal sobre a sua cabeça, até que, arremessando-se à caixa, conseguiu finalmente fechá-la.
Mas o mal já estava feito. Percebendo que nada ficara lá dentro, olhou ainda uma vez para o fundo da caixa fatídica. Um rosto maravilhosamente belo e eternamente jovem, no entanto, a observava dali.
— Quem é você? — disse Pandora, ainda temerosa.
— Eu sou a Esperança — disse simplesmente o belo rosto.
Foi carregando esse valioso presente que Pandora se apresentou diante dos homens.”

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